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N  OPERAÇÕES

1979 | Instalação: projeção em looping de Super8; objeto e álbum de figurinhas | Discute a arte e a sua relação com o mercado | Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, RJ, Brasil.
 
» co-autoria:
Maria Carmen Albernaz

» logotipo:
Artes e Ofício Produções Fotográficas

» fotos do álbum:
Ricco Produções Fotográficas
"(...) a galeria, aproveitando o seu caráter não comercial, conseguiu assumir rapidamente uma postura aberta à experimentação. Em pelo menos metade do que terá feito em 1979, pôs em circulação artistas cujo trabalho constitui, antes de mais nada, um questionamento do próprio circuito da arte -- seus modos, seus marcos, suas mazelas.
É bem dentro, então, desse propósito questionador que se situa N Operações -- título geral do que apresentam Rute Gusmão e Maria Carmen Albernaz. Para quem entra na galeria esperando vê-la cheia de obras pelas paredes ou baseadas no chão, o resultado é inquietante: quase nada há por ali. No meio da sala, dois mostruários que contêm muitos exemplares de um folheto de capa azul, atravessada por aquele título. Entre eles, uma prateleira de vidro, suspensa desde o teto, traz um monte de latas como cofrinhos desses típicos da poupança -- todos estão envoltos por um papel com as palavras "truque troc". E para terminar, um filme pode ser visto em pano improvisado como tela.
As imagens do filme é que ajudam a encontrar a chave para ir compreendendo o conjunto de trabalhos. Dois mágicos, entre sorridentes e circunspectos, repetem truques como quadros de um engano que só faz acumular-se. Ora, isto nos leva a pensar que duas artistas, entre atentas e irônicas, ali na mesma sala, põem a nu a margem de mágica que há na arte. Arte e truque andam muito próximos, confundem-se até, e nos confundem. O artista (todo ele? sempre?) opera e oferece engodos, n vezes. Dá um jeito de fazer o real flexível como nunca, retira-lhe alguns elos, deixa-o em suspenso, sugere uma nova normatividade para dar lei às coisas do mundo -- a do disfarce e da ilusão. E esse truque, tornado especiaria no circuito que o impulsiona e que dele se alimenta, pode virar moeda, gerar lucro, abrir poupança, render juros: ser brilhante, portanto, sem que se saiba bem se verdadeiro ou falso. De artista, todo mágico tem um pouco; mas, de mágico, todo artista tem muitíssimo. Eis a equação que, sorrateiramente, nos propõem as duas artistas, de qualquer forma ainda mágicas (...)".

Extraído do artigo de Roberto Pontual
Experimentando e sedimentando
Jornal do Brasil, 15/10/1975.